quinta-feira, 2 de setembro de 2010

EFEITO DO CICLO DO OURO EM PORTUGAL

A rapidez com que se deu o povoamento, a pobreza de
alguns , a imprevidência de outros, a concentração de
esforços na atividade extrativa, a dificuldade de acesso
à zona mineira e sua localização em zona despovoada,
trouxeram como conseqüência uma insuficiência inicial
de gêneros alimentícios e inclusive duas crises de
fome (1697/1698 e 1700/1701). Nesses anos esgotaram-
se totalmente os gêneros, e muitos dos pioneiros
necessitaram abandonar suas betas e dispersaram-se
em busca de alimentos; evento que provavelmente
contribuiu para a descoberta de novas áreas auríferas.



A migração descontrolada do elemento livre e o envio
maciço de escravos às minas abateram-se imediatamente
sobre outras atividades econômicas da
Colônia e provocaram até mesmo enfraquecimento
militar de determinadas áreas litorâneas do Brasil.
No próprio Reino fez-se sentir o impacto da imigração
para as minas. Apesar das inúmeras restrições
ao deslocamento para a Colônia – medidas de 1709
e 1711 – ainda em 1720 várias regiões de Portugal
continuavam a sentir os efeitos da febre do ouro,
conforme pode ser atestado pela determinação régia
daquele ano: “Faço saber aos que
esta minha lei virem que não tendo sido bastantes as
providências que até o presente tenho dado (…) para
proibir que deste Reino passe as Capitanias do Estado
do Brasil a muita gente que todos os anos se ausenta
dele principalmente da Província do Minho, que sendo
a mais povoada, se acha hoje em estado que não há a
gente necessária para a cultura das terras, nem para
o serviço dos Povos, cuja falta se faz tão sensível,
que necessita de acudir-lhe com o remédio pronto, e
tão eficaz que se evite a freqüência com que se vai
despovoando o Reino”.


FONTE: LUNA, Francisco Vidal. Estrutura da Posse de Escravos, In: LUNA, Francisco Vidal &
COSTA, Iraci del Nero da. Minas Colonial: Economia e Sociedade, São Paulo, FIPE/PIONEIRA, p. 31-55, 1982 (Estudos Econômicos FIPE-PIONEIRA).



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